Consórcio

Consórcio: o que é, como funciona e quando vale a pena

Por Equipe Cash Certo · Publicado em · Atualizado em · 10 min de leitura

Consórcio é uma forma de compra planejada em grupo: várias pessoas pagam parcelas mensais para um fundo comum e, todo mês, uma ou mais delas recebem uma carta de crédito para comprar um bem, por sorteio ou por lance. Não há juros, mas há taxa de administração e outros encargos. Vale a pena para quem não tem pressa, tem disciplina para pagar até o fim e quer fugir dos juros de um financiamento.

O que é consórcio, em palavras simples

Pense em um grupo de 100 pessoas que querem comprar um carro de R$ 80 mil. Nenhuma tem o dinheiro todo agora. Então cada uma paga uma parcela por mês para um caixa comum. Com o dinheiro arrecadado, a administradora entrega, a cada mês, uma ou mais cartas de crédito para os participantes contemplados. Quem é contemplado compra o carro. Os outros continuam pagando e esperando a sua vez.

No fim do prazo, todos terão recebido a carta de crédito e todos terão pago o valor combinado. A diferença é o momento em que cada um recebe: alguns no primeiro mês, outros só no último.

O consórcio no Brasil é regido pela Lei nº 11.795/2008 e fiscalizado pelo Banco Central. Só pode vender consórcio uma administradora autorizada pelo Banco Central. Antes de assinar qualquer coisa, consulte se a empresa tem autorização no site do Banco Central.

Como funciona o consórcio, passo a passo

  1. Adesão ao grupo. Você escolhe o tipo de bem (imóvel, veículo, moto, serviços), o valor da carta de crédito e o prazo. Assina o contrato de adesão e passa a ter uma cota no grupo.
  2. Pagamento das parcelas. Todo mês você paga a parcela, que inclui a parte do fundo comum, a taxa de administração e, se o contrato prever, o fundo de reserva e o seguro.
  3. Assembleias mensais. A administradora faz uma assembleia por mês. Nela acontecem os sorteios e a apuração dos lances.
  4. Contemplação. Você é contemplado por sorteio ou por lance. A partir daí, tem direito a usar a carta de crédito.
  5. Análise e uso da carta. A administradora analisa seu cadastro e sua capacidade de pagar o saldo restante, pede garantia (normalmente o próprio bem fica alienado) e paga o vendedor do bem.
  6. Pagamento até o fim. Mesmo depois de receber o bem, você continua pagando as parcelas até quitar o plano.
  7. Encerramento do grupo. Quando todos são contemplados e o prazo termina, a administradora encerra o grupo e devolve eventuais saldos, como sobra do fundo de reserva, conforme o contrato.

O que é a carta de crédito

A carta de crédito é o valor que você tem para comprar o bem quando é contemplado. Ela não é dinheiro na conta para usar como quiser. A administradora paga direto ao vendedor do carro, da casa ou ao prestador do serviço, depois de checar o bem e a documentação. Algumas regras permitem usar parte do crédito para outras finalidades em situações específicas, mas isso depende do contrato e das normas do Banco Central.

Fale com a Cash Certo sobre consórcio

Monte um plano de consórcio com parcela que cabe no seu orçamento.

Quero uma proposta

Quais são os tipos de consórcio

TipoPara que servePrazos comuns
ImóvelComprar casa, apartamento, terreno, construir ou reformarLongos, muitas vezes acima de 150 meses
Veículo leveCarro novo ou usadoMédios
MotoMotocicleta nova ou usadaCurtos a médios
PesadosCaminhão, ônibus, máquina agrícolaMédios a longos
ServiçosCirurgia, festa, viagem, curso, reformaCurtos

Os prazos variam de administradora para administradora. O que importa é ler no contrato o prazo do grupo e o número de participantes.

Como ser contemplado: sorteio e lance

Existem dois caminhos para receber a carta de crédito:

  • Sorteio. Todo participante em dia concorre. É pura sorte. Pode sair no primeiro mês ou no último.
  • Lance. Você oferece antecipar parte das parcelas. Quem oferece o maior lance (pela regra do grupo) é contemplado. O valor do lance abate o saldo devedor.

Há vários tipos de lance: livre, fixo e embutido (quando você usa parte da própria carta para dar o lance). Explicamos cada um em detalhes no guia sobre lance no consórcio.

Quanto custa um consórcio de verdade

O consórcio não tem juros, mas não é de graça. Os principais custos são:

  • Taxa de administração: é a remuneração da administradora. É um percentual sobre o valor da carta, diluído nas parcelas. Não há teto fixo em lei; o Superior Tribunal de Justiça já entendeu que a administradora pode definir a taxa livremente (Súmula 538). Por isso, comparar é essencial.
  • Fundo de reserva: um percentual que protege o grupo contra inadimplência. Se sobrar no fim, costuma ser devolvido aos participantes, conforme o contrato.
  • Seguro: muitos grupos exigem seguro de vida (prestamista) para quitar o saldo se o participante falecer.
  • Reajuste: o valor da carta e das parcelas é corrigido por um índice (por exemplo, um índice da construção civil para imóveis ou a tabela de preço do bem para veículos).

Detalhamos cada custo, com conta de exemplo, em uma matéria própria sobre taxa de administração, fundo de reserva e reajuste.

Exemplo ilustrativo de custo

Imagine uma carta de R$ 100.000, prazo de 100 meses, taxa de administração de 15% e fundo de reserva de 2% (números apenas ilustrativos, não são condições de nenhuma administradora).

ItemValor
Carta de créditoR$ 100.000
Taxa de administração (15%)R$ 15.000
Fundo de reserva (2%)R$ 2.000
Total a pagar (sem reajuste e sem seguro)R$ 117.000
Parcela aproximadaR$ 1.170 por mês

Nesse exemplo, o custo extra em relação ao valor do bem é de 17%, diluído em mais de 8 anos. Em um financiamento com juros, o custo total costuma ser bem maior no mesmo prazo, mas você recebe o bem logo após a aprovação do crédito. Essa troca é o centro da decisão.

Vantagens do consórcio

  • Sem juros. O custo é a taxa de administração e os encargos, não juros compostos.
  • Parcela menor que a do financiamento para o mesmo valor e prazo, em geral.
  • Poder de compra à vista. Com a carta em mãos, você negocia como quem paga à vista.
  • Disciplina de poupança. Funciona como uma poupança forçada, com prazo e meta.
  • Flexibilidade de uso. Em muitos contratos, a carta de imóvel pode servir para comprar, construir ou reformar, e é possível usar o FGTS em situações previstas nas regras da Caixa.

Desvantagens e riscos

  • Não há data certa para receber o bem. Se você precisa do carro ou da casa agora, o consórcio não resolve sozinho.
  • Reajuste da parcela. Com a correção anual, a parcela sobe. Planeje o orçamento com folga.
  • Desistência demora para devolver o dinheiro. Quem sai do grupo antes da contemplação, pela lei, recebe os valores pagos ao fundo comum quando a sua cota for sorteada entre os excluídos ou no encerramento do grupo, com descontos previstos no contrato.
  • Análise de crédito na contemplação. Ser contemplado não garante o uso imediato. A administradora analisa sua renda e pode exigir garantia extra.
  • Custo pode ser alto. Taxas de administração muito altas em prazos curtos encarecem bastante o plano.

Quando o consórcio vale a pena

O consórcio costuma fazer sentido quando:

  • você não tem pressa para comprar o bem;
  • quer comprar algo de valor alto e não quer pagar juros;
  • tem renda estável para manter as parcelas por anos, mesmo com reajuste;
  • tem uma reserva que pode virar lance para antecipar a contemplação;
  • está planejando um objetivo de médio ou longo prazo, como trocar de carro em dois anos ou comprar um imóvel em cinco.

O consórcio costuma não ser a melhor escolha quando:

  • você precisa do bem agora (aluguel caro, carro para trabalhar);
  • sua renda é instável e há risco de atrasar parcelas;
  • a taxa de administração somada aos encargos fica parecida com o custo de um financiamento barato.

Se você está em dúvida entre as duas opções, compare o custo total e o tempo de espera das duas opções lado a lado, com o mesmo valor e o mesmo prazo.

E se eu quiser o bem logo? Carta contemplada

Existe uma alternativa para quem quer as vantagens do consórcio sem esperar: comprar uma carta de consórcio já contemplada de outra pessoa. Você paga um valor ao dono da carta (o ágio), assume as parcelas restantes e, com a anuência da administradora, usa o crédito. É uma operação que exige cuidado, porque há golpes nesse mercado. Explicamos tudo no guia sobre carta de consórcio contemplada e você pode ver opções na página de cartas contempladas.

Erros comuns de quem entra em consórcio

  1. Acreditar em promessa de contemplação rápida. Ninguém pode garantir data de contemplação. Promessa desse tipo é sinal de venda irregular.
  2. Escolher a parcela sem olhar o custo total. Some taxa de administração, fundo de reserva, seguro e reajuste.
  3. Não ler a regra de lance do grupo. Cada grupo tem regras próprias de apuração e limite de lance.
  4. Contratar uma carta maior do que o orçamento aguenta. Lembre que a parcela sobe com o reajuste.
  5. Não checar a autorização da administradora no Banco Central.
  6. Pagar a primeira parcela para pessoa física. O pagamento deve ir para a administradora.

Checklist antes de assinar

  • A administradora está autorizada pelo Banco Central?
  • Qual é a taxa de administração total e como ela é cobrada?
  • Existe fundo de reserva? De quanto? Ele é devolvido no fim?
  • O seguro é obrigatório? Quanto custa?
  • Qual índice reajusta a carta e a parcela? Em que mês?
  • Quantos participantes há no grupo e quantas contemplações por mês?
  • Quais são as regras de lance (livre, fixo, embutido, limites)?
  • O que acontece se eu desistir? Há multa?
  • Que garantia será exigida quando eu for contemplado?

Como a Cash Certo pode ajudar

A Cash Certo é correspondente bancário em Belo Horizonte e atende quem quer entrar em um consórcio ou comprar uma carta já contemplada. A gente explica as condições, ajuda a comparar o custo total e encaminha a proposta para administradora autorizada pelo Banco Central. A contemplação segue as regras do grupo e o uso da carta depende de análise da administradora. Saiba mais na página de consórcio.

Perguntas frequentes

Consórcio tem juros?

Não. O consórcio não cobra juros. O custo vem da taxa de administração, do fundo de reserva (quando houver), do seguro (quando exigido) e do reajuste anual da carta. Some tudo para comparar com outras opções.

Quem fiscaliza o consórcio?

O Banco Central fiscaliza as administradoras de consórcio, com base na Lei nº 11.795/2008. Antes de contratar, confira no site do Banco Central se a administradora é autorizada.

Posso desistir do consórcio?

Pode. Quem desiste antes da contemplação vira cota excluída. Pela lei, recebe de volta o que pagou ao fundo comum quando sua cota for sorteada entre as excluídas ou no fim do grupo, com descontos previstos no contrato, como multa e taxa de administração.

Negativado pode fazer consórcio?

Em geral, é possível entrar no grupo, porque a adesão não envolve empréstimo. Mas, na contemplação, a administradora faz análise de crédito para liberar a carta. Com restrição no nome, a liberação pode ser negada ou exigir garantias extras.

Posso usar o FGTS no consórcio?

No consórcio de imóvel, o FGTS pode ser usado em situações previstas nas regras do FGTS, como lance, complemento da carta ou amortização, desde que você e o imóvel cumpram os requisitos. Confira as condições atuais na Caixa.

Fale com a Cash Certo sobre consórcio

Monte um plano de consórcio com parcela que cabe no seu orçamento.

Quero uma proposta

Toda contratação está sujeita à análise de crédito e às regras da instituição que concede o crédito.

Conteúdo informativo, que não substitui a análise do seu caso nem o contrato. Condições, taxas e regras podem mudar; confira sempre na proposta e nas fontes oficiais.

Leia também