Educação financeira
Juros do rotativo do cartão de crédito: como funciona e como sair
Os juros do rotativo do cartão de crédito são cobrados quando você paga menos que o valor total da fatura: o saldo que ficou é "rolado" para o mês seguinte com juros, IOF e encargos, e está entre os créditos mais caros do país. Desde janeiro de 2024, pela Lei 14.690/2023, o total de juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não pode passar de 100% do valor original da dívida. Para sair, o caminho é quitar o saldo ou trocá-lo por uma dívida com CET menor e parcela fixa.
Como o rotativo funciona na prática
Todo mês a fatura do cartão de crédito chega com três opções:
- Pagar o total: não há juros.
- Pagar um valor entre o mínimo e o total: o restante entra no rotativo.
- Pagar só o mínimo: quase todo o saldo entra no rotativo.
O rotativo é pensado para ser uma ponte curta. Pelas regras do Conselho Monetário Nacional, o saldo só pode ficar no rotativo até o vencimento da fatura seguinte. Depois disso, se você ainda não quitou, o banco precisa oferecer um parcelamento do saldo, normalmente com juros menores que os do rotativo, mas ainda altos.
Exemplo ilustrativo
A sua fatura é de R$ 2.000 e você paga R$ 400. Os R$ 1.600 que faltam entram no rotativo. Com uma taxa de exemplo de 12% ao mês, só de juros seriam cerca de R$ 192 no mês seguinte, fora IOF. Se no outro mês você só pagar uma parte de novo, os juros passam a ser cobrados sobre um saldo ainda maior. Os números são ilustrativos: a taxa real está na sua fatura.
O que é o limite de 100% dos juros do rotativo?
A Lei 14.690/2023, criada junto com o programa Desenrola, determinou que juros e encargos financeiros do rotativo e do parcelamento da fatura não podem ultrapassar o valor original da dívida. A regra vale desde 3 de janeiro de 2024 e foi regulamentada pelo Banco Central.
Na prática: se a dívida original era de R$ 1.600, o máximo que pode ser cobrado de juros e encargos sobre ela é R$ 1.600, chegando a no máximo R$ 3.200 no total.
Isso protege contra a dívida que cresce sem fim, mas não torna o rotativo barato. Pagar o dobro do que você gastou ainda é um prejuízo enorme.
Simule o Pix no cartão de crédito
Veja o valor das parcelas e o custo total antes de decidir. Toda solicitação está sujeita à análise de crédito.
Fazer minha simulaçãoQuanto custa o rotativo em comparação com outros créditos
Você não precisa decorar taxas. O que importa é saber a ordem, que costuma ser esta, do mais caro para o mais barato (varia conforme o banco e o seu perfil):
| Tipo de crédito | Custo típico |
|---|---|
| Rotativo do cartão de crédito | Entre os mais caros do mercado |
| Cheque especial | Muito alto |
| Parcelamento da fatura | Alto |
| Empréstimo pessoal sem garantia | Médio a alto, depende da análise |
| Consignado e crédito com garantia | Costuma ser o mais baixo |
As taxas médias de cada modalidade são publicadas pelo Banco Central e mudam com frequência. A sua fatura também mostra o CET do rotativo e do parcelamento: procure esse número no campo de informações.
Como sair do rotativo do cartão de crédito
1. Pare de usar o cartão de crédito que está no rotativo
Cada compra nova soma no saldo e atrasa a saída. Se for preciso, use débito ou dinheiro por alguns meses.
2. Pague o máximo que puder da fatura
Qualquer valor acima do mínimo reduz a base de cálculo dos juros. Corte gastos temporariamente e direcione o que sobrar para a fatura. Um orçamento doméstico simples ajuda a achar esse dinheiro.
3. Compare o parcelamento da fatura com outras opções
O banco vai oferecer parcelar o saldo. Antes de aceitar, compare o CET desse parcelamento com outras linhas de crédito. Use o guia de CET: como comparar o custo de qualquer empréstimo.
4. Troque a dívida cara por um crédito mais barato
Se você consegue um empréstimo com CET menor que o do rotativo e do parcelamento, pode quitar a fatura de uma vez e ficar com parcelas fixas. Algumas opções:
- Consignado, para aposentados, pensionistas do INSS e servidores
- Crédito do Trabalhador, para quem tem carteira assinada
- Empréstimo pessoal
- Pix no cartão de crédito: um empréstimo pessoal parcelado na fatura de outro cartão de crédito com limite disponível, com o dinheiro enviado por Pix para a sua própria conta
Na Cash Certo, o Pix no cartão de crédito tem CET de 1,93% a.m. (25,80% a.a.) a 17,90% a.m. (621,38% a.a.), conforme análise de crédito, com parcelas de 1 a 21x. Exemplo oficial: R$ 1.000,00 em 12x de R$ 99,88, total de R$ 1.198,60, CET de 2,90% a.m. (40,98% a.a.). Ele só vale a pena para sair do rotativo se o CET aprovado para você for menor que o da dívida atual e a parcela couber no seu orçamento. Compare antes.
Erros comuns com o rotativo
- Achar que pagar o mínimo é "estar em dia". Você está em dia, mas pagando juros altíssimos.
- Parcelar a fatura e continuar usando o cartão de crédito no mesmo ritmo. A parcela entra na fatura seguinte e a bola cresce.
- Trocar a dívida sem comparar o CET. Às vezes a troca sai mais cara.
- Pegar crédito novo e não quitar a fatura. O dinheiro precisa ir direto para a dívida.
Perguntas frequentes
Quando eu entro no rotativo do cartão de crédito?
Você entra no rotativo quando paga qualquer valor menor que o total da fatura até o vencimento. O saldo restante passa para o mês seguinte com juros, IOF e encargos.
Por quanto tempo posso ficar no rotativo?
Pelas regras do Conselho Monetário Nacional, o saldo só pode ficar no rotativo até o vencimento da fatura seguinte. Depois disso, o banco deve oferecer um parcelamento do saldo devedor.
Os juros do rotativo têm limite?
Sim. Desde janeiro de 2024, pela Lei 14.690/2023, o total de juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não pode passar de 100% do valor original da dívida.
Vale a pena pegar um empréstimo para pagar o rotativo?
Vale se o CET do empréstimo for menor que o custo do rotativo ou do parcelamento oferecido pelo banco, se a parcela couber no orçamento e se você parar de usar o cartão de crédito até organizar as contas. Toda contratação é sujeita a análise de crédito.
Simule o Pix no cartão de crédito
Veja o valor das parcelas e o custo total antes de decidir. Toda solicitação está sujeita à análise de crédito.
Fazer minha simulaçãoConteúdo informativo, que não substitui a análise do seu caso nem o contrato. Condições, taxas e regras podem mudar; confira sempre na proposta e nas fontes oficiais.
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